segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mínima V.

Teu corpo,
Cidade que ainda ei de visitar.

domingo, 28 de maio de 2017

Transpassar.

Queria que você atravessasse o meu corpo de novo, queria tua pele na minha formando uma só textura, untando meu corpo com tua saliva, misturando meu cheiro e o teu.
Quero que você atravesse meu peito de vez e faça de mim uma pequena parte tua, quero minha mão e a sua entrelaçadas em um gemer cordial, quero minha saliva humidecendo os teus lábios e a tua as minhas costas pequenas, que daria pra alagar inteira em apenas uma noite sua.
Quero minha língua em teus olhos e a menina dos meus a comer teu corpo inteiro. Atravesse de vez o meu peito,  o meu rio, eu quero alagar-me de ti, quero teus dentes em minhas roupas, meu corpo, tuas unhas em meu casco, e eu inteira em teu corpo, quero o teu suor e o meu se misturando feito tinta no chão.

domingo, 23 de abril de 2017

Burlar I


Sós.

Somos mulheres tão sós, não há espaço para tantos sentidos em nós, então eles jorram pelos poros
Sangue
Lágrima 
Fome
Falta
Vômitos 

Ruminar
Gritos 

Silêncio 
Somos mulheres tão sós que nada nos completa por muito tempo, nem amor, nem afeto, enquanto isso questionamos o que ainda falta, estamos rodeadas umas pelas outras, mas continuamos só, não há céus que nos complete ou poema que nos mude, não há arte que esteja perfeita ou palavras que estejam corretas. Estou só. 
Não contamos o verdadeiro motivo do choro, enquanto a desculpa é o sumiço do antepassado e o medo dele, não contamos nada, não contamos com nada.
Estou amassada feito roupa que não me cabe mais, e continuo pensando estar de pé, estou só. 
Somos mulheres só 
Somos mulheres lua
Somos mulheres sol
Somos mulheres mães 
Sorrimos, bebemos, nos abraçamos e nos amamos. Mas no fim somos solidão, somos casas vazias, onde quem entra fica pouco ou quando entram nós saímos.
Temo a solidão, mas ela me acompanha no meio de uma rua pequena, animada, com luzes amareladas, sou uma mulher só, e nesta vida ainda não há nada que me complete a alma.

(Im) permanência


Um dia o rosto
No outro a barriga
No outro o seu vômito
Outro dia as pernas
Outro a comida
Um dia os rabiscos
No outro os hibiscos
Outro dia a dor
Outro dia a derrota
No outro o alagamento 
No outro a morte.
Um dia feminista
No outro machista
No outro construtiva
Outro destrutiva, destruída
Corrói 
É só a dor
Um dia lagarta
No outro asfalto
No outro película
No outro o outro.
Teatro da dança das outras.
Um dia mulher, noutras mulheres que choram, me esmagam com os seus gritos em meu colchão. Um dia ninguém, noutros, todos os dias solidão nessa cidade de cãibras.

Reverter.


Inverter-se.
ser  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            Vinte e sete de maio, 2015. Outono

Sonhos esquecidos.


Acorda em soluços, mãos molhadas de água salgada dos olhos, mas com o quê sonhavas?  Por que choravas tanto? 
Não sabes,  não lembras. Seus sonhos são memórias esquecidas assim que abre os olhos de um sono cansado.

E os sonhos externos? 
Estão em coma desde o ano de dois mil e nove, quatro anos depois eles morreram junto com o sono, não sei mais onde conseguir novos planos, novos sonhos, novas vontades.
O corpo vive em busca de desejo,  duas horas e ele esta satisfeito.

E a alma?
Morre um pouco a cada segundo contado.
Os afetos nunca entraram pela porta da frente, os amores atravessam a janela com cortinas de flores, mas nunca os vi, o amor é uma ilusão.
Rotina, suor, frio e a falta de receitas, recitadas pela memória. 
Os sonhos foram esquecidos por um corpo que guarda culpa católica,  por uma alma inquieta, por planos que só saem da tinta azul da Cis, os sonhos são esquecidos quando abro os olhos e lembro-me dos atrasos dos anos passados, dos planos que estão ali prontos para começar mas o corpo cansado não deixa seguir.

Onde estão os planos? 
Enterrados junto com pilhas de papéis que estão a km de distância,  que estão perdidos entre dados de um computador velho e a criatividade que falta-me. Esqueça os sonhos antes de acordar, eles são passado que não terão tempo de existir.

A angústia não deixa-me existir desde que ela partiu.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Passo a passo de como se apaixonar.

Primeiro encontre uma planta da qual goste muito e arranque um galho dela.
Segundo, pegue esse galho vá até o fim dele, e lasque o talo ao meu, apenas um pequeno pedaço, deixando a outra parte do galho inteira, depois, coloque esse galho em um copo com água, deixe alguns dias, acho que sete dias é o suficiente para brotar, durante este período de sete dias (fase de cada lua) vai vê a paixão brotar aos poucos, verá algumas finas e delicadas raízes sair desse corte que fizesse no galho.
Terceiro, para ser recíproco deve haver cuidado, se cuidar todos os dias essa planta vai crescer e te acompanhar para onde quiseres. Isso é paixão, que brota pouco a pouco, é o tipo de paixão que você faz nascer, crescer e viver mais do que você.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Sussurro.

Habitava o reino dos sonhos que pouco habito quando acordo-me em um susto com um dos gritos de Maria, eram tantos, mas dessa vez só um sussurrou em meu ouvido, enquanto a moça escutava na sala uma música não identificada, o grito ficou longe, foi para a porta de saída da casa, achei que fosse sonho, mas não, o grito era nitidamente dela, era um dos gemidos dolorosos que ela não podia dizer os motivos, mas eu sabia quais eram. Esses gritos foram os que mostraram-me a noite, o passo da madrugada para todas as manhãs, eles já faziam parte de mim, de nós.
Acordei, escutei o sussurro em meus ouvidos e não voltei a dormir, fiquei esperando os próximos gritos que jamais voltariam na mesma noite, Maria gritava de dor, de raiva, de saudade, de amor, talvez de desespero por viver tanto tempo sendo parte de lençóis brancos, azuis, floridos, chegou um dia que ela não os quis mais, os deixou, nos deixou; E os seus gritos carrego comigo, vez em quando eles desaparecem, mas me acompanham com a mesma frequência da minha saudade. Eu a ouvi, em um leve susto do sono, era o sussurro da saudade. Era a voz da saudade.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Março.

A pele prepara o corpo para o fim do verão, prepara a alma para o esquecimento e para o que esta por vir, depois da intensidade dos dias, do sol. O sol prepara a pele pra partir. 
Esta para ir pra mais uma estação, e a vida em passos de amor, lento e impaciente, a pele prepara o corpo para recolher-se na névoa que ficará por longos dias, a solidão vai partir para a carência abrir espaço na cama para o outono, a alma prepara a pele pra se recolher no passo da tarde.

domingo, 5 de março de 2017

Carne-corpo-carnaval I

Deixei as asas de pássaro amarelo me levar, fui passarinha amarela, fui mulher e invisível.  O carnaval atravessou meu corpo depois da quarta de cinza, em um domingo cinza, enquanto o cansaço me engolia, a dor me sugava e o sumiço me gritava, pulei o carnaval com saudade da Bahia e sem ela, hoje fui eu e mais outras fantasias, fui amor, desamor, fui passarinha amarela fantasiada de alegria.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carne-corpo-carnaval

A terça é de carnaval
As quartas das cinzas
Os sábados de aleluia
E as ruas das serpetinas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Pequeno conto amoroso I

Seria demais se ela estivesse te esperado para a sessão das 17h00, ao invés de ter visto o filme sozinha na sessão das 15h00, mas tudo bem, ela tem uma vida e a minha está se equilibrando cambaleando agora, pulando de ponto nada, iria ser bonito, encontra-lá na porta te esperando, pra uma surpresa com corpo, seria igual aos filmes. Mas não foi, vimos as sessões em horários diferentes e sozinhas, fomos feitas assim, coração farto, e de solidão. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Mínima IV.

Sobre o cheiro, 
ele tem cheiro de perfume e cigarro.
Hoje, perfume, cigarro e chuva. 

Out, 21 de 2016

domingo, 23 de outubro de 2016

Carta para D.

Querença.
Deixei em sua casa alguns grampos de cabelo, acho que dois, que um dia ei de buscar. Deixei em teu peito o palpitar do meu coração, e a minha memória auditiva do pulsar do seu, Deixei em teu sexo meu melhor querer, o meu melhor anseio. Deixei em teus lábios meu gosto, meu seio, meu ser.
Pena que me deixou por outro peito de ombros largos que não tenho,
Se deixasse virava teu corpo inteiro do avesso e me vestia nele.
Deixou agora saudade, desejo, vontade de embriagar-me de ti por dias seguidos.
Deixasse em meu corpo todo o teu cheiro.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Carta para Aurí.

O chá de Camomila, Sálvia e Gengibre esfriou enquanto chorava e digitava aquelas palavras pra ti, Outubro tem sido um mês pesado, parecendo nuvem carregada de chuva, seria aniversário de 45 anos de Maria, e o que restou? Nada muito além da saudade e da vontade de abraçar longamente aquela mulher tão magra, tão mãe.
Fora está angustia, tem a saudade que tem sido forte, fora isso tem a redução de vagas nas universidades, fora isso o Brasil em caos, fora isso, hoje tem chuva de estrelas cadentes e os muros da Tristeza me limitam ver o céu neste pequeno espaço retangular que moro. Cidade grande, de relações passageiras, Tem sido tempos difíceis para os que sentem, para os que se abalam, sou mulher, sinto muito, tu, poeta e ativista sentes mais. Parece que tudo ficou líquido, as relações se acabam de um dia para o outro, os sentidos das coisas não são mais vistos, talvez por isso essa agonia, e os meus olhos não param de jorrar, Não sei de onde tirei tanta angustia, tanta dor, tanta raiva, tanta vontade de sumir, me afogar em uma cachoeira. Na verdade, é o mundo que me deixa assim, sou eu, que não faço e não tenho sentido aqui. 
Hoje a manhã estava tão bela, luzida, ensolarada, penteei os cabelos, brinquei com as plantas,desenhei uma sereia azul, mas depois os ciclo se voltou, as lágrimas de novo jorraram, caíram feito tempestade. 
Espero que essa nossa dor passe, desejo que encontremos sentidos, ou que eu encontre, tu tem os teus que são belos e que incluí uma humanidade, sim, essas pessoas que tu ensina sobre a vida, na qual estou inclusa entre elas. 
Menino, não me esquece, vou precisar, preciso de você. 
Porto Alegre, 20 de Outubro, 2016, Primavera, Cheia. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Solitude.


Sobre ser só.
Atlântida e Babilônia cidades engolidas pelo caos da solidão, tão amadas que não existem, tão queridas quanto Tântalo.
A solidão da melhor companhia, trocados vivências de infância, a quinta foi uma gestação,  a sexta o nono mês, o sábado o parto e o domingo conheces os irmãos na calma e cinzenta manhã.  Levaremos todos para Atlântida para banhos em cachoeiras verdes, rios azuis. Partirei só ao amanhecer, depois das 05:00, deixo lembranças.
Enquanto as flores invadem os espaços da alma. Seguem bem vindos ao mangue.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Carta para Isabel.

Isabel, tenho sentido sua falta.
Nego-me por inteira a crêr em teu peso, acredito em tua dor, em tua ânsia de viver, nas suas agonias, em teu criar.
Mas teu peso não!
Anjos não pesam, flutuam.
Sereias não pesam, flutuam nas superfícies das águas.
Mulheres não pesam, flutuam.
Tu não pesa, é luz aquarelada do fim de tarde.
No início da noite
E no meio da manhã quando se deita, cansanda pelo tempo.
Isabel, creio em tua insanidade,  pois os insanos são os mais sensíveis que conheço. Tua insanidade eleva tua alma ao azul do céu.
Em teu peso me nego a crêr,  sereias flutuam.
Porto Alegre, 05 de Maio, 2016. Outono.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Expelir-se.

Moça não te vomites.
Todos os dias é o mesmo som, agoniante, você se joga pelo ralo.
Logo tu, que tentas a diferença é tão igual. Mulher entenda as questões da alma e aprenda a não ser igual as outras que tu diz que não é.
E os teus traços?
E as tuas cores?
E a tua solidão?
E a tua vontade?
São dela, ser dela.
Vão para ela.
Moça, te aceite, é melhor assim, dói tão pouco e a gente aprende a sorrir, não é fácil,  mas muitas outras moças conseguiram, São só revistas, são só retratos, retalhos, pose de gente que finge beleza, mas a alma não é saudável, Mulher aprenda a ser a ti mesma, sei, é complicado,  mas aos poucos conseguimos com dificuldade.
Mulher, cresça, teu corpo não é mais o mesmo e nem precisa ser, somos seres humanos metamorfoses, o corpo cresce e modifica-se junto com a idade,  aprenda a ser a ti mesma.
São só autorretratos, são só imagens que a revista que não te compra quer comprar, não se compare, é só maquiagem, moça, não te vomites, a alma precisa respirar, e assim ela desce pelo ralo.
E tu, não consegues pensar, não consegues pintar, dançar, não consegue ser leve. Não te maltrate assim.

domingo, 25 de setembro de 2016

Dó de ti.

Moça por que choras tanto assim?
Por que o sol se foi e tua mãe também?
Por que as outras moças não te olhas e tu também?
Por que teu corpo é miúdo e tu também?
Mulher por que choras tanto assim?
Deve ser porque tem olhos pequenos e muita água acumulada no peito
deve ser porque não sabe de onde vem a calma, e nem pra onde ela vai.
Talvez seja porque a única pessoa que a ama partiu pra outra mata, deve ser porque se sente só!?
Mas menina, por que te alaga tanto assim? Nem moras em Mariana, mas também sentes dor. 
Deve ser porque não se ama, porque deixou todo mundo ir com tua incerteza de viver.
Ei, por que choras tanto assim?
Deve ser porque teus olhos não vê direito e tua alma já que sair.
deve ser porque não tem um rio, pode ser que ela não foi, talvez seja porque morreu.
Deve ser por isso que essa moça chora tanto e não quer mais morar no jardim.