sábado, 24 de setembro de 2016

176

O ônibus parou.
E lá vai o trabalhador 
Tomar um sol, pegar um rio
Se divertir.
E nunca se viu um ônibus tão colorido.
Era o moço do algodão doce que pegava o ônibus e não eu. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Pôr-se.






O passo que a tarde caminha para a noite é sagrado.
Como as fases da lua
A mulher que sangra
A gestação
O passo que a tarde caminha para a noite é um parto.
São mães da mata se despedindo do sol e beijando a lua.
O passo que a tarde caminha para a noite é sagrado.

Cair-me




Você caiu

Em lágrimas
No meio de um monte de gente que nem te notava.
Você caiu
Aflita
Respiração ofegava
Doía o peito
Parecia que morreria ali
Os olhos não paravam de aguar
Você caiu
Em lágrimas o dia inteiro
Mas em casa sorriu
Fez piada
E a dor no peito não parava
Você caiu
Parece que vai demorar pra levantar.
Caiu em dor
Em um inferno que é o teu dia
Mas segue a rotina precisa
Inesquecível.
Você doía. Você se dói
Sempre sozinha.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Nostalgie

Lembro-me daquele pé de erva doce, cheio de flores amarelas e um cheiro bom que corria por todo o quintal.
Nunca me dei conta que aquilo era o afeto enorme da minha avó, nunca me dei conta que as suas ervas, flores, todas aquelas plantas me fariam tanta falta.
Hoje sinto o cheiro de chá de capim-da-lapa, chamado aqui de capim-limão.
Sinto a falta dos chás de erva-cidreira que curava saudade, ansiedade, dor de barriga, febre, agonias e outras dores da alma. Lá minha alma estava perdida, mas o caos esta dentro de nós, uma pena não sabermos organizar nossa paz nos lugares.
Hoje estou com a memória olfativa, sinto o cheiro das Donas Marias dentro do meu corpo inteiro.
Nunca me dei conta que carrego a saudade de algumas mulheres no peito.

domingo, 19 de julho de 2015

Trovoando.

Perdida entre os relâmpagos e trovões.
Que parecem arpejos dos céus,
os anjos gritam, choram ou dançam, mostram-se gota a gota, pingo a pingo.
E eu silêncio.

Porto  Alegre, 13 de julho, 2015.

Chás

Era canela
cravo
amora
camomila.
Mas a saudade continuava.

sábado, 18 de julho de 2015

Do Amor.

Mulher não sofras.
Não te doe, não te doa. 
Toda vez que tu chora, meu coração se aperta. 
Os rins se contorcem, e os ossos enrijecem. 
Mulher, nunca sofras. Viro safra mal colhida e sofro junto. 
Mulher não chores. 
Pois toda vez que chora, meu peito se encolhe, e lá em silêncio ele também chora. 
Mulher, não te cortes, não te vomites tanto assim, a vida veio sofrida pra todo mundo, não só pra ti. Mulher, não sofras, quando sentes dor, a terra toda se move.
E mais de uma alma sofre contigo.

Rosa.

Rosa diz todos os dias que ele não conversa.
-Mas Rosa é a flor mais silenciosa que já conheci.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Margaridas

 Hoje passei em teu jardim, não haviam margaridas.
Senti tanta saudade!
Não sei se de ti ou das margaridas.
Na verdade,
De te trazendo margaridas.
Margaridas brancas. 

A mais bela ausência de cor.

Sidi Gama, em 04 de Maio, 2015.
Carta recebida em Junho, 08.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Âmor.

O amor é uma criança que perdi na rua
é essa coisa que não me deixa dormir
é uma moça que pula da árvore a suicidar-se.
O amor, uma loucura que muitos temem e todos querem
 é um jogo de loteria.
O amor, é um não sei o quê, de não sei onde, que não vivo mas sinto.
O amor é a causa da eloquência de maioria
O amor é um menino que some de noite e aparece de dia
que entrou e saiu pela porta dos fundos
é uma dessas agonias que não sabemos as consequências,
é a vontade de concluir a vida
de adiantar as horas
de correr no tempo
O amor é o medo de morrer sozinho
é a transfiguração de dentro pra fora.

morro no mundo e não morro de amor!

sábado, 28 de março de 2015

Flora.

Nasceu semente
Cresceu flor
(de dia lua, de noite sol).
E morreu gente, eis o triste fim da natureza humana. 

Perigos do Amor.

1.
Pular de cabeça em um amor raso.

2.
Afogar-se num amor profundo.


Éliton Oliveira.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Anjos.

Um dia desses perdi-me como sempre.
Fui salva por um anjo.
Me levou para o inferno e paramos nos céus.
Por incrível que pareça seu nome era Gabriel.
Depois daquele sábado doce, nunca mais apareceu;
guardo seu abraço no corpo.

Ela.

Ela esqueceu as horas, os saberes, as saudades e agora sente frio.
Ela esqueceu os amores, o tempo e o clima, esqueceu-se de si mesma depois das dores do peito, do calor do céu e da lua que havia sumido durante um tempo. 
Ela guardou-se feito caixa de presente, amassou-se, morfou-se, mas encontrou os seus melhores e mais guardados defeitos, as suas melhores e piores belezas guardadas no peito, escondidas na clareza da alma, ela desnudou-se e mudou-se para dentro. 
Ela agora silencia e ora, faz prece, reza e dança, ela agora é sol.
Encontrou-se na sombra e sonhou toda a noite, ela esqueceu os irmãos Grimm, agora vive contando pra si.
Ela agora é corpo, ventre e fúria. Ela é a contradição da loucura, é a lucidez, a pessoa!
Ela sumiu na sombra, luziu!

Foto: Maria




Carta online.



" Bacana, se realize. Se reconheça. Seja o melhor de ti por você mesma. Faz um tempo que eu queria te dizer: Na universidade aprendemos a questioná-la, ela não é o único caminho, nunca será. A realização pessoal de cada um, vai muito além desse espaço. Esse espaço nos reduz. Aproveite esse tempo fora dela e adquira outras habilidades. Venha sim, venha viver comigo, ser esse porto seguro um do outro. Sinto muito a necessidade de nossas constantes trocas. Aprenda outra coisa. Se jogue no estranho. Aprenda a tocar algo. A dançar uma dança daí. Aprenda outras mantras. Outros poemas. Conheça o sentido de ser um porto alegre. Eu queria viver a leveza de estar fora dela. Venho pensamento muito na minha falta de tempo para me reconhecer nas ruas. Quem sou eu? Qual minha potência? O que fazer na madrugada? Amo a arte, mas qual a minha na real? Não quero ser um consumidor, quero ser presente. Quero aprender a ser melhor e não estar preso a uma habilidade especifica na qual o diploma vai me oferecer. Sonhe mais, se faça!            

                                                                                                                                      De: Raí Amorim
                                                                                                                    Para: Cristiane Dos Santos."

 P.s.: Cartas de amigos que não tem tempo de ir ao correio, carta com cheiro de saudades. 
 

domingo, 22 de março de 2015

Dual.

Foto: Maria





Não digas que és única.

Não digas que não pensas e que não muda.
Mulheres tem duas faces, uma que chora e outra que ama.
Diga-me que conta a mesma história de diversas formas para o teu filho
Diga-me que teu cabelo leão some quando entra no trem lotado de gente.
Mulheres sentem, mais que qualquer flor que nasce.
Não digas que tens a mesma opinião o tempo todo
Não digas que é imutável, porque eu já mudei de opinião. 
Mulheres tem duas faces, uma que ama e outra que luta.
A fêmea pare e tem duas faces.

Vermelho rebu.

Engula teu feminismo, e vomite na cara dos homens;
Do patriarcado, afinal as ideias mastigadas e trituradas saem bem melhor.

Mago Saramago - Caverna de Platão e as imagens

"As imagens substituem a realidade." 
Hoje somos imagens, sons, nos desconstruímos do silêncio e do claro. Vivemos em uma sociedade onde não há visão horizontal, vertical ou traseira, não nos permitimos isso, criamos um mundo só nosso, nos prendendo aos nossos próprios, pré conceitos, conceitos e ideias das quais iludimos serem únicas, não nos deixamos adquirir opiniões, conhecimento, tribos, culturas, espaços, por mais que tentemos, que algumas pessoas digam que está livre a toda e qualquer mudança (ideia, opinião) até uma parte diferente de nós mesmos, acabamos que realmente nos perdemos de nós, somos nossa própria caverna, nos isolamos dos outros (imperceptivelmente) para construirmos um "mundo"nosso, onde nada se vê, nada se enxerga, tudo se perde. 
Talvez seja esse o motivo deste grande caos mundial, onde se matam por religião, sexismo, violência e outros mil, o que agonia as pessoas é o sermos mutáveis, causando em outros um certo 'ódio' por poder, por querer, por sentir que precisamos incluir conhecimento sem radicalismo.


domingo, 15 de março de 2015

Mínima III

Entre a solidão e o medo,
eu viro sombra.

Um março longo.



O país está dividido, esquerda, direita, preconceitos e palavras de ódio, a questão deixou de ser partidária e transformou-se em uma questão social e de sexo, onde a agressão se dar principalmente a mulher. Em pleno 08 de março, dia internacional da mulher a primeira presidenTA do Brasil em seu segundo mandato,  foi agredida verbalmente com vaias e xingamentos machistas, de puta, vaca e outros mais que queira Lula saber quais foram, justo no dia da Mulher inventam um tal de panelaço, poderia ser qualquer coisa, inchaço, tijolaço, gritaço, mas não, foi Panelaço, segunda demonstração do quanto o nosso país é ainda patriarcal. Estávamos a um passo para uma sociedade desenvolvida e igualitária, mas a "classe alta" que pode pagar uma empregada não quer ver uma mulher negra e pobre fazendo faculdade de Direito em universidades particulares, estamos lado a lado da democratização e socialização de um país desigual há tanto tempo, mas há ainda as moças que tem vergonha de não saber cozinhar e o rapazes que acham que o sexo feminino não entende de política e que lugar de mulher é na cozinha. Foi isso o nosso dia de comemoração de luta da classe oprimida que está conquistando a cada dia mais lugares na sociedade, as mulheres de empresários estão fazendo um panelaço com o terceiro mês do segundo mandato de Dilma Rousseff, a Senhora que sancionou o feminicídio e está colocando na porta da frente a descriminação do aborto. Não sei se corro ou fico, nós deveríamos bater no seio e dizer que estamos conseguindo, enquanto a França a 40 anos da luz à mulheres que tem direito e liberdade sobre seus corpos, o problema pode ser político e econômico, mas não é motivo para chamarem uma mulher de vaca, a não ser que ela seja sua amiga mais íntima e isso não siga como ofensa. 

O que parece é que os homens amedrontaram-se, notaram que o país está caminhando para uma sociedade matriarcal e socialmente desenvolvida, onde mulheres, negros e pobres estão tendo seus devidos lugares, universidades, empresas, rolezinhos em shoppings, e agora falta empregadas domésticas, porque elas conseguiram abrir seu  próprio negócio, é esse o negócio, o medo da classe bem sucedida é que todos ocupem o mesmo espaço, por isso criaram o tal panelaço. Não adianta gritar, querer tirar quem está no poder, o Brasil é imenso, não dar pra tomar conta de mais de 200 milhões de pessoas, não dar pra descobrir todos os problemas sociais e econômicos em apenas 8 anos, mas nesta estadia de oito anos no governo o partido de "esquerda" mudou a vida de alguns muitos brasileiros, então há mais facilidade em atribuir a culpa a um gênero que há séculos é culpabilizado, porque ninguém notará esse preconceito (machismo), encontrar a culpa em uma mulher no meio de tantos homens corruptos é fácil, mas encontrar a coragem e a insistência em melhorar o país que ela tem em um homem sequer que é meio difícil. E sobre o 15 de março, não adianta tentar derrubar uma mulher, quando isso acontece todas elas se levantam.